domingo, 1 de abril de 2012

Inbrasc reúne profissionais do supply chain em debate sobre sourcing



Com o intuito de discutir e disseminar informações sobre os atuais desafios do sourcing no Brasil, o Inbrasc (Instituo Brasileiro de Supply Chain) organizou um embate entre profissionais da área de Supply Chain. O evento aconteceu na terceira semana de março, no Atelier Gourmet, na Rua Bela Cintra, no bairro Jardins, em São Paulo.

O profissional João Fábio Silva, que trabalha há 15 anos na área, conduziu o encontro que foi dividido em três partes. A primeira etapa se consistiu em uma apresentação geral do Instituto Brasileiro de Supply Chain, em seguida o moderador introduziu o tema do debate, por último os participantes foram convidados a cozinhar e degustar o prato feito por eles.

Durante o debate, gerentes e diretores da área de compras e logística discutiram e expuseram os pontos tidos como dificuldades e desafios do sourcing a serem vencidos no Brasil. Entre os principais obstáculos expostos pelo moderador João Fábio estão as dificuldades na relação entre fornecedor e comprador, dificuldades na avaliação dos fornecedores, erros dos fornecedores e a má qualidade do produto.

De acordo com o Wilfredo Fares, Gerente de Compras da Citrovita, que atua há 20 anos na área, encontrar fornecedores qualificados em todos os pilares tem sido o principal desafio para o setor de compras. "É difícil encontrar um fornecedor completo em todos os aspectos, ainda mais no caso da Citrovita, que está localizada em cidades do interior de São Paulo, como Catanduva, Matão e Araras".

Outra questão levantada pelos profissionais está ligada à infraestrutura dos transportes. Marcelo Teixieira, Gerente de Logística da Caramuru Alimentos atua há 19 anos na área de logística. Segundo ele as más condições dos portos, rodovias e ferrovias de todo o Brasil deixam a desejar e influenciam de forma negativa no transporte nacional de cargas.

Na visão de João Fábio, um das formas de aperfeiçoar os serviços prestados por eles consiste na prática da relação colaborativa, já que poucas empresas trabalham de forma efetiva no desenvolvimento de seus fornecedores. "O importante é criar um laço de parceria entre fornecedor e consumidor transformando a cultura brasileira", afirma.

Fonte: Administradores.com

Infraero investirá R$ 300 milhões em logística de cargas



Até o final deste ano a expectativa é que a Rede de Terminais de Logística de Carga da Infraero movimente 3,4 milhões de toneladas de carga, entre produtos importados, exportados, cargas courier e nacional. Como foco nesse crescimento, a Infraero vai investir na operacionalidade da Rede Taca e colocrá em prática seu plano de investimentos 2012 – 2016 que prevê ampliações e modernização de áreas de armazenagem.

Para atender à demanda de clientes, os aeroportos brasileiros vão receber cerca de RS 300 milhões em quatro anos. Desse montante, aproximadamente R$ 160 milhões são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. De acordo com a Superintendência de Logística de Carga da Infraero, esse aporte vai proporcionar a execução de obras de reforma, ampliação e construção de terminais, além da aquisição de novos equipamentos que irão garantir agilidade na prestação de serviços. “Com esse plano de investimento, pretendemos elevar os padrõs de qualidade dos serviços prestados aos nossos clientes. Estamos também empenhados em garantir que a capacidade dos armazéns atenda à demanda com segurança e excelência operacional”, afirma o superintendente Ednaldo Santos.

Obras:

Entre as grandes obras, estão previstas a construção dos novos complexos logístios de Vitória (ES) e Porto Alegre (RS), e a revitalização do Teca Exportação do Galeão (RJ).

Na lista dos terminais que terão sua caácidade logística e de armazenamento ampliada estão o de Curitiba (PR), que ganhará mais de 5 mil metros quadrados de área até o final deste ano; e o de Salvador (BA) que passará por reforma e expansão também este ano. Para 2013, a está programada a entrega do segundo terminal de carga e um estacionamente de caminhões em Goiânia (GO), enquanto em 2014 serão entregues as obras de reforma e ampliação do Teca de Navegantes (SC).

Fonte: Mercado e Eventos

domingo, 11 de março de 2012

Prestação de serviços de logística gera negócios lucrativos

A previsão é de crescimento no mercado de logística em 2012, com faturamento que deve chegar a quase R$ 450 bilhões este ano. Empresários investem no setor de prestação de serviços para grandes empresas e geram negócios lucrativos.

Com um leva e traz de mercadorias, o empresário Roberto Dexheimer fatura alto. Há três anos, ele encontrou no mercado de logística uma grande oportunidade de negócio e criou uma empresa, na capital paulista. No espaço, ficam armazenados diversos tipos de produtos, de vestuário a utilidades domésticas e peças decorativas. O começo foi numa grande rede de supermercados.

“Contratamos 51 funcionários para fazer a operação de intralogística dentro das instalações de nossos clientes. E aí a empresa começou a crescer e a gente sentiu a necessidade de montar um armazém”, explica o empresário.

Hoje a empresa tem 300 funcionários, que trabalham numa área de 3 mil metros quadrados. Além da armazenagem dos produtos, é feita a distribuição logística para clientes espalhados por todo Estado de São Paulo.

E uma dica para quem quer trabalhar no setor é que o serviço costuma ser contratado por redes de supermercados, varejistas e indústrias. “Eles preferem manter o espaço que eles têm como espaço produtivo, espaço industrial, já que a armazenagem é considerada improdutiva para ele. Então há necessidade de terceirizar essa operação”, diz Dexheimer.

Os serviços começam com o recebimento das mercadorias. Em um galpão tudo é checado e separado por cliente. Depois, os produtos embalados e etiquetados seguem para a expedição. O transporte de mercadorias é feito com uma frota de oito caminhões.

O investimento para montar toda a estrutura foi pesado: R$ 1,5 milhão. Mas o faturamento é alto: R$ 8 milhões por ano.

Carlos Porto terceiriza a logística para a empresa dele. Dono de uma importadora de utilidades domésticas, ele usa o serviço para a distribuição das mercadorias para lojas e supermercados.

Com isso, ele gasta cerca de R$ 4 mil por mês. “A empresa ficou com mais tempo para as vendas, que é o nosso negócio hoje. E a parte operacional, relacionada com a parte de a armazenagem, ficou com a empresa terceirizada”, explica.

Logística reversaE o empresário Adalberto Panzan se especializou na chamada logística reversa. A empresa dele projeta crescimento e bons lucros para 2012. Ele transporta, separa e destina resíduos, mas no sentido contrário: do consumidor final para as indústrias.

A empresa coleta pilhas, baterias, cartuchos de impressora, lâmpadas e sucatas de computador. Tudo é encaminhado para recicladoras especializadas. O negócio começou pequeno: em uma salinha de 50 metros quadrados e com um investimento de R$ 100 mil.

Em uma área de 1.300 metros quadrados ficam os produtos que são coletados em mais de 3 mil pontos espalhados por todo o país. É a etapa intermediária de toda a operação logística. Quando o material chega até ao local, é separado em baias para depois ser transportado para a reciclagem, que é a destinação final.

O transporte é feito por carros próprios e terceirizados. Tudo segue encaixotado em embalagens para evitar contaminação de resíduos.

“Uma das principais demandas da nossa operação é que nós temos rastreabilidade disso tudo, ou seja, que nós saibamos de onde está vindo aquela pilha e para onde ela vai. Então isso envolve não só informação, mas também documentação para certificar isso”, diz o empresário.

A coleta é feita em escolas, empresas, hospitais e hotéis. Nesses pontos são instalados coletores para que as pessoas possam depositar os resíduos para a reciclagem. Em um hotel, a coleta de pilhas é feita há dois anos. O estabelecimento paga R$ 180 por mês pela retirada do material.

“Nós vimos a necessidade, como o hotel consome muita pilha (...), pela sustentabilidade, meio ambiente e pelo fato de a pilha soltar um material que é muito danoso para o meio ambiente”, diz John Rudy, supervisor de serviços do hotel.
O mercado de logística segue em expansão. Fatura R$ 400 bilhões por ano e a previsão para 2012 é de que aumente para R$ 430 bilhões.

“Desde esses períodos pós crise, as empresas começam a mexer bastante em relação a revisar seus processos logísticos, reduzir custos, otimizar suas cadeias de produção, então isso gera uma demanda muito grande para operadores logísticos, profissionais de logística de um modo geral”, diz Mauro Henrique Pereira, da Associação Brasileira de Logística.

Fonte: PEGN - 11/03/2012

Plano Nacional de Logística Portuária dará impulso à cabotagem

A navegação de cabotagem (troca de mercadorias entre portos) no Brasil foi bastante forte em outros tempos e enfraqueceu-se nos anos 70 e 80, devido à falta de investimentos e à intolerância a atrasos na época da alta inflação. Nos últimos anos, ensaia um retomada, inclusive com a chegada de novos players ao mercado.

Mas, para crescer ainda mais, além dos 13% de participação na movimentação de cargas no Brasil, e tornar menos rodoviária a matriz de transporte brasileira, a cabotagem precisa de um empurrão. É necessário algo que reduza distorções, como o envio de geladeiras de Santa Catarina para o Norte do País em caminhões, mesmo com a existência de 8.500 quilômetros de águas costeiras navegáveis. E, na visão do ministro dos Portos, José Leônidas Cristino, a chave está na nova versão do Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP), que será concluída nos próximos 15 dias.

“É uma radiografia de tudo que está acontecendo, que deveremos projetar para os próximos 20 anos do sistema portuário nacional. Com isso, vamos ter toda a consistência para planejar”, disse, explicando que o transporte de cargas por cabotagem é parte deste plano.



Créditos: Alexsander Ferraz - Arquivo
Navegação de cabotagem responde atualmente por 13% das movimentações de mercadorias no Brasil

domingo, 29 de janeiro de 2012

Os maiores aviões do mundo

Depois do sucesso da postagem dos maiores navios do mundo aqui neste blog, posto agora "Os maiores aviões do mundo".


Airbus A-380:



O Airbus A380, desenvolvido e construído pela Airbus S.A.S. (EADS Systems), é o maior avião comercial de passageiros da história. O avião, chamado frequentemente de Superjumbo, fez seu primeiro vôo experimental em 27 de Abril de 2005 em Toulouse, França.

O A380 consumiu mais de dez anos e cerca de 12 bilhões de euros (R$ 35,1 bilhões) para ser desenvolvido. O avião gigante, que fez o seu vôo inaugural no final de Abril, foi a estrela da Paris Air Show, feira no campo aéreo de Le Bourget, nos arredores de Paris (França). A General Electric e a Pratt & Whitney se aliaram em 1996 para desenvolver o GP7200, um motor avançado, de alta tecnologia e elevado rendimento.

O GP7200 usa sub-sistemas do PW4000 e do GE90 (maior e mais potente motor do mundo com 115 000 lbf de empuxo e 3,43 metros de diâmetro, usado no Boeing 777). O GP7200 foi originalmente desenvolvido para ser usado no Boeing 747 500/600X, que foi cancelado devido a falta de demanda nas linhas aéreas. O GP7200 acabou sendo adaptado para ser usada no 'A380. Seu preço divulgado foi de US$300 milhões de dólares.





Antonov An-225:

(Click na Imagem para ampliar)O Antonov An-225 Mriya é um avião cargueiro ucraniano peso-pesado. Ele foi desenvolvido para transportar cargas enormes e pesadas que jamais poderiam ser transportadas por outros aviões de carga convencionais como o Boeing 747. É o maior avião de carga do mundo e o maior avião do mundo e só existem 2 deles (um recentemente completo).

Ele pousa em chão de terra (com ou sem chuva) e até na neve (incluindo regiões remotas e desérticas da Sibéria). Este avião foi utilizado para transportar o ônibus espacial russo Buran
.

DADOS:

Tipo de aeronave: Cargueiro

Propulsão: 6 turbinas ZMKB Progress Lotarev D-18T (com 229,50 kN de propulsão cada)

Peso máximo de carga permitido para conseguir decolar: 600 t.
Peso máximo de carga útil (interna ou externa): 250 - 275 t.

Envergadura de asa: 88,4 m
Comprimento: 84 m
Velocidade: 800 km/h
Altura: 18,1 m (excluindo o trem de pouso)

Dimensões de carga: 35,97 m de comprimento; 6,4 m de largura; 4,39 m de altura
Autonomia de voo com carga máxima: 4.500 km
Autonomia de voo com tanques de combustível cheios: 15.400 km

Tripulação: 7 pessoas.
Zona de carga caberia o equivalente a: 1.500 pessoas

(Click na Imagem para ampliar)



Airbus Beluga:

Airbus A300-600ST (Super Transporter) ou Beluga é uma versão do Airbus A300, com partes modificadas para ser um avião cargueiro capaz de transportar grandes cargas e partes de outros aviões.
A versão cargueira com grande capacidade volumétrica do Airbus A300-600 foi projetada para substituir os antigos Super Guppy da Aero Spacelines.
Estes aviões foram, até a entrada em operação dos "Beluga" (como foram apelidados os A300-600ST) utilizados pela Airbus para transportar asas e fuselagens de suas aeronaves entre as fábricas situadas na Alemanha, França e Reino Unido.

O desenvolvimento do A300-600ST foi iniciado em agosto de 1991 e apenas três anos depois o primeiro protótipo fazia seu roll-out em Toulouse. O primeiro vôo, em Setembro de 1994, deu início ao processo de homologação, recebida em meados de 1995 após 400 vôos de teste.

A primeira unidade, o antigo protótipo, entrou em operação na Airbus em Janeiro de 1996. A entrega das quarta unidade ocorreu de Junho de 1998, quando finalmente os Super Guppy foram aposentados.
Essencialmente baseado no A300-600, possui a mesma asa, motores, a fuselagem inferior, trem de pouso principal e cabine de comando.

A principal mudança é a enorme fuselagem, equipada com uma porta tipo "clamshell" na frente, que obrigou um reposicionamento do cockpit. A cauda também foi modificada, com a utilização de pequenos estabilizadores verticais instalados nos profundores
.
O controle e gerênciamento da frota de Belugas é feito pela SATIC, uma empresa formada em parceria entre a Aérospatiale e a DASA.

Além de realizar o transporte de partes para a Airbus, a SATIC também oferece a grande capacidade volumétrica do avião (1400m3) para o transporte de cargas volumosas, o que acabou justificando a introdução em serviço de uma quinta aeronave, incorporada à frota em 2000.






Boeing B-29 Superfortress:
O Boeing B-29 Superfortress é um avião militar com quatro motores a hélices que foi utilizado como bombardeiro durante a Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coreia pela Força Aérea dos Estados Unidos da América.


Foi também o avião que levou as bombas atômicas para o ataque às cidades de Hiroshima e Nagasaki.
O Boeing B-29 foi o maior avião em serviço durante a Segunda Guerra Mundial. Ele era considerado avançado para os outros bombardeiros da época, tendo como como inovações a cabine pressurizada, sistema central de controle de fogo e metralhadoras controladas por controle remoto.

Embora desenvolvido para ser um bombardeiro diurno de alta altitude, na prática realizou mais missões incendiárias noturnas de baixa altitude.
Até a sua retirada no final dos anos 60, 3.900 B-29 foram construídos.


Imagens Impressionantes do Aeroporto de St Maarten, nas Antilhas Holandesas:






Obra do terminal começará em fevereiro



O terminal ferroviário de Rondonópolis, denominado de Complexo Intermodal de Rondonópolis (CIR), está previsto para começar a ser construído neste mês de fevereiro. Agora estão sendo feitas a marcação e a limpeza de alguns pontos da área, além da finalização da parte burocrática. O empreendimento ocupará uma área de 400 hectares junto à BR-163 (saída para Campo Grande-MS), com a previsão de entrar em operação até o fim do segundo semestre de 2012. A América Latina Logística (ALL), concessionária da ferrovia que chegará ao município, estima o atendimento de mais de 1.200 caminhões por dia e a geração de 3 mil empregos.

A região do terminal ferroviário em Rondonópolis hoje já é considerada expansão urbana. A gerente do Departamento Municipal de Indústria e Comércio, Angela Maria Bandeira Cruz, explica que a Prefeitura tem auxiliado a ALL quanto à agilização dos procedimentos burocráticos necessários antes do começo da construção. Ela destaca a importância do investimento para Rondonópolis, observando que muitas empresas estão se instalando ou procurando se instalar no município em função do terminal. Nesse sentido, ressalta que a Prefeitura vem procurando promover a qualificação profissional de trabalhadores para atender a demanda. “Vai gerar muito emprego!”, reforça.

Conforme a ALL, o terminal de Rondonópolis estará apto para atender as operações de granéis, fertilizantes, combustíveis, cargas industriais e contêineres. A capacidade de carga será de 120 vagões em 6 horas, com operações independentes de carga e descarga e um sistema duplo de carregamento ferroviário, permitindo o embarque simultâneo de dois trens com produtos diferentes.

A empresa pretende transportar em 2013 no complexo em torno de 12 milhões de toneladas, devendo chegar a 15 milhões de toneladas por ano até 2015.

Segundo o superintendente de Projetos Logísticos & Inteligência da ALL, Adriano Bernardi, serão aproximadamente 20 grandes empresas junto ao terminal local. Praticamente todas já assinaram os contratos com a ALL. São importantes players do agronegócio como o Noble Group, trading de commodities, que já iniciou sua construção na área. Já estão definidas 3 distribuidoras de combustível, 1 terminal de container, 2 empresas de fertilizantes, 1 fábrica esmagadora de soja e biodiesel (Noble) e o restante, empresas de commodities agrícolas, como a Bunge.

Com a ferrovia chegando até Rondonópolis, o modal ferroviário ficará mais próximo da região produtora de Mato Grosso. Além do transporte de grãos, combustível e fertilizantes, a ALL informa que tende a crescer a capacitação de cargas frigorificadas e algodão, além de cargas gerais. Adriano Bernardi reforça a importância do complexo para Mato Grosso. “Tornará as exportações do Estado mais competitivas, reduzindo o custo de transporte da fazenda ao porto. A ferrovia chegará mais próxima dos produtores, reduzindo o custo de ponta rodoviária da fazenda ao terminal de transbordo”, destacou.

Fonte: A Tribuna de MT

domingo, 22 de janeiro de 2012

Para ANTT, Brasil vive no ‘limite da gambiarra’




Se as exportações de commodities brasileiras brilharam e turbinaram as contas externas do país desde 2000, a infraestrutura logística está longe de ter acompanhado o mesmo ritmo. Manteve-se cara e ineficiente. Nesse período, o país aumentou em 384% a quantidade de toneladas que circulam e congestionam as rodovias, ferrovias e hidrovias em direção ao exterior. Mas o número de rodovias asfaltadas aumentou apenas 18% no período, enquanto as linhas de trem cresceram só 500 quilômetros. O país vem operando "no limite da gambiarra", segundo o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo:

"O país está diante da possibilidade de um apagão logístico. Mas a logística não pode ser vista só pela lógica da obra e sim pelo desempenho do transporte. Não se resolve o problema logístico transigindo com a boa forma de fazer. Chegamos ao limite da gambiarra", disse ele ao GLOBO.

Dados inéditos obtidos pelo GLOBO mostram que os fretes cobrados pelas concessionárias de trens estão R$ 600 milhões acima do teto que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) considera razoável, segundo a proposta a revisão tarifária que está em consulta pública atualmente. Além disso, gargalos e a falta de sintonia dos vários modais prejudicam o escoamento da produção.

" Nos últimos anos, a ociosidade de caminhões e trens absorveu o aumento da produção, mas já não há gordura a ser queimada. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é a $de mudar esse quadro, junto com a nova legislação."

Hoje, um trem leva 88,41 horas do Alto Araguaia até Santos. Mas cada vagão leva em média 28,9 horas no porto para descarregar. Sem o ferroanel em São Paulo, os trens precisam trafegar de 30 a 40km/h para 5km/h. Levam um dia para atravessar a capital paulista, em vez de contorná-la.

Ferrovias estão concentradas em poucas empresas

A falta de concorrência no transporte ferroviário é o principal problema do setor, segundo técnicos do governo. O fato de as malhas de trem disponíveis no país estarem concentradas nas mãos de poucas empresas contribui para aumentar a burocracia e deixar os custos elevados para exportadores. Um exemplo do efeito nefasto da concentração é que as concessionárias fazem de tudo para evitar que concorrentes utilizem seus trilhos. Em Santos, a MRS detém o acesso até o porto, mas a ALL é responsável pela linha lá dentro.

As normas agora garantem o direito de passagem pelas diversas linhas do país. Donos de outros trechos — ou usuários que tenham trens, mas não linhas — poderão utilizar a malha como um todo. Além disso, criou-se um código de defesa dos usuários. Isso deve acirrar a concorrência e baixar os fretes.

Além disso, a partir de março as ferrovias serão obrigadas a reduzir de 10% a 69% os valores fretes que cobram pelo transporte de cargas, como determina a revisão tarifária proposta pelo governo. A Vale — dona das malhas Vitória-Minas Gerais, Centro Atlântica, Carajás e sócia da concessionária MRS — por exemplo, terá que reduzir em 69% sua tarifa em Carajás.

Para o presidente da Associação dos Usuários de Trens de Carga (ANUT), José Baldez, as concessionárias se apropriaram dos ganhos de produtividade do país nos últimos 15 anos, ao pressionar o "Custo-Brasil".

Não há trens suficientes até os terminais do porto de Santos, diz o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

"Em Paranaguá, as empresas têm que usar caminhões, porque o porto não teria como dar vazão a quantidades maiores trazidas de trem. Em Santos, há poucos trens e muitos só podem trafegar à noite", disse.

Levantamento da Associação Brasileira da Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) indica que a soja brasileira, embora seja vendida segundo as cotações internacionais, perde da fazenda até o porto. Isso porque o custo do frete sai a US$ 60 por tonelada na média do país e US$ 112 só para o Mato Grosso. Nos Estados Unidos, o custo é de US$ 15 por tonelada da fazenda ao porto, e na Argentina, US$ 17.

A ideia do governo com a revisão tarifária para os trens é evitar a ameaça de explosão dos preços dos caminhões. A redução dos fretes deve ampliar os ganhos dos produtores de commodities e estimular o crescimento dos embarques de manufaturados, que poderão se tornar bem mais competitivos.

Setor afirma que problemas são anteriores à concessão

Para a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), os gargalos vêm de antes das concessões. Um que há mais de 12 anos precisa ser resolvido pelo Estado é a necessidade de encerramento da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). O governo ainda não deu solução definitiva para o espólio da rede. A ANTF também afirma que, hoje, para atender à demanda existente, seriam necessários 52 mil quilômetros de ferrovias.

"Com as obras de expansão previstas no PAC2, as ferrovias devem ser ampliadas em mais 12 mil quilômetros até 2040. O que não se pode esquecer, no entanto, é que o tempo médio de construção de uma ferrovia é de cinco anos", disse o presidente Executivo da ANTF, Rodrigo Vilaça, que conclui:  A nossa preocupação é com a manutenção do equilíbrio dos contratos originais e mecanismos que garantam a capacidade de investimento das ferrovias.

Segundo Vilaça qualquer aumento de custo ou investimento, diante de margens tão apertadas, tende a ser um ônus adicional para o frete, que pode ou não ser repassado pela concessionária. As empresas citadas não se pronunciaram.


Fonte: Agência O Globo

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