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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

China desafia normas do transporte marítimo de cargas



A disputa contratual entre a maior empresa de logística da China e proprietários de navios está chamando atenção para a tensão criada pelo crescimento do setor corporativo chinês, que nem sempre se guia pelas regras globais estabelecidas.

A decisão da China Cosco Holdings Ltd, o braço de capital aberto da estatal Grupo Chinês de Logística Oceânica, de suspender ou atrasar o pagamento de fretes de navios acertados no auge do mercado de transporte marítimo em 2008 reflete em parte a tensão cíclica da indústria de logística global.

Mas alguns analistas, advogados e executivos na China dizem que isso também reflete a tendência entre muitas empresas chinesas — várias, como a China Cosco, de propriedade do governo — de esnobar as normas globais de comércio.

Nos últimos anos, bancos estrangeiros e outros credores tem se deparado repetidamente com dificuldades para receber pagamentos de empresas chinesas relativos a bônus ou contratos de derivativos.

Em 2009 por exemplo, o governo da China encorajou companhias aéreas estatais e empresas de logística, incluindo a Cosco, a rejeitar os prejuízos com derivativos que tinham sido negociados com bancos estrangeiros como proteção para o caso de um aumento brusco no custo dos combustíveis.

Naquele mesmo ano, a Asia Aluminum Holdings Ltd. que tem sede na China, propôs recomprar as emissões de dívida por centavos por cada dólar, causando perdas a investidores internacionais.

Empresas estrangeiras que operam na China são rotineiramente avisadas que os contratos no país não são tão sagrados como nas economias desenvolvidas. Jingzhou Tao, um advogado da Dechert LLP trabalhando em Pequim, diz que suspender pagamentos é uma tática frequente usada na China para forçar a renegociação de preços. "Para empresas chinesas um contrato não é uma Bíblia imutável," disse Tao.

Os preços de frete de cargueiros que transportam commodities como carvão e minério de ferro despencaram desde 2008, quando a China Cosco assinou os contratos em questão.

Executivos do setor dizem que é comum que empresas de logística queiram renegociar contratos de longo prazo por causa de oscilações na economia. Mas dizem que não é comum empresas financeiramente saudáveis voltarem atrás unilateralmente num contrato, como a China Cosco fez em alguns casos.

Representantes do Grupo Cosco e da China Cosco não responderam a pedidos de comentários enviados na sexta-feira. Durante uma conferência por telefone uma semana atrás, após a empresa divulgar que teve prejuízo no primeiro semestre, o diretor executivo da China Cosco Zhang Lian classificou essas disputas de "normais" e colocou a culpa nos donos de cargueiros por "usar a mídia para tentar ter um grande impacto".

A empresa disse que renegociou acordos com 18 navios. Um executivo da China Cosco disse na quinta-feira que a empresa tem planos de reestruturar a divisão deficitária de transporte de cargas secas.

A China Cosco, que tem cerca de 200 navios fretados para cargas secas além de 234 cargueiros próprios, parece estar querendo corrigir a rota. Alguns donos de navios que haviam reclamado da falta de pagamento disseram que voltaram a receber recentemente.

Analistas e advogados dizem que as grandes estatais chinesas podem ser especialmente agressivas ao lidar com empresas estrangeiras por causa do respaldo oferecido pelo governo e do enorme poder dentro da própria China de indústrias que frequentemente são oligopólios.

Fonte: The Wall Street Journal

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Por soja, China fará 'logística' no Brasil


Modernas rodovias cortam as áreas agrícolas chinesas. Das estradas, pode-se ver a concentração de guindastes em vários desses campos. A agricultura perde espaço para as indústrias, que exigem também a formação de novos bairros residenciais. Essa redução de área agrícola pode estar próxima de 100 mil hectares por ano, segundo algumas avaliações.

Industrialização crescente e elevação de renda da população colocam novos consumidores no mercado. Como a produção de importantes produtos para o país, como o milho, evolui 3% ao ano, mas o consumo cresce 5%, o país terá um gargalo à frente. Cientes da demanda crescente por alimentos, os chineses miram o Brasil. Depois de várias tentativas de participação no mercado brasileiro, que foram da produção própria à compra direta de grãos dos agricultores, aprenderam que o "custo Brasil" exige uma tática diferente.

Agora, os chineses dão sinais de que, para ter a garantia de alimentos, devem formar empresas com brasileiros na área de logística -portos, transportes etc.
Foi o que manifestaram a produtores da Aprosoja (que reúne produtores de soja e de milho de Mato Grosso), que estiveram em visita àquele país asiático há uma semana.
A necessidade chinesa é grande, e o Brasil deve se aproveitar desse apetite. É hora, no entanto, de o país não colocar apenas a matéria-prima nas negociações, mas também produtos de maior valor agregado.

As metas das empresas chinesas são ambiciosas.

O grupo Hope Full, que fornece 60% do óleo de soja de Pequim e tem moagem de 3 milhões de toneladas de soja por ano, se prepara para moer 8 milhões. É um dos interessados em investir em logística no Brasil.

A Shiyang Group, criada como produtora de ração, entrou em toda a cadeia de carnes, da produção ao varejo. Deve faturar 6 bilhões de yuans em 2014 (R$ 1,5 bilhão).
Para chegar aos supermercados chineses, essas empresas passam pelo fornecimento de grãos do Brasil.

Fonte: Folha

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