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terça-feira, 4 de agosto de 2009

De olho na produtividade e no bem-estar do time, empresas oferecem atendimento psicológico à equipe no horário de trabalho

Carlos Rodrigues, de 42 anos, gerente industrial da Edscha, com a filha, Luana, e a esposa, Simone: a terapia salvou o casamento.


Ao aceitar um novo desafio na multinacional alemã Edscha, fabricante de auto-peças para carros, o gerente industrial Carlos Rodrigues, de 42 anos, pôs em risco a vida familiar. O novo posto de trabalho em Sorocaba, interior paulista, só permitia que ele voltasse para casa, em São Paulo, no fim de semana. "Em oito meses, o casamento de 15 anos esfriou e acabamos nos separando", lembra. O chefe atencioso, sempre disposto a conversar e esclarecer as dúvidas de sua equipe, deu lugar a um profissional rígido e impaciente. Ajuda psicológica? Nem pensar. "Achava que era coisa para loucos". Pois ele mudou de idéia quando a Edscha passou a oferecer atendimento psicológico dentro da empresa, incluindo aconselhamento, cuidados preventivos e psicoterapia durante o horário de trabalho. Carlos passou a discutir seus problemas com a psicóloga da organizacão. E o final não poderia ser mais feliz: voltou para a esposa, Simone, e trouxe ela e a filha, Luana, de 13 anos, para morar com ele, em Sorocaba. "A terapia ensinou-me a expressar meus sentimentos, ajudou me a ver a situação com clareza e resgatar antigos valores".


O programa de atendimento psicológico na empresa foi uma iniciativa do diretor-geral Roberto Lima, que está no comando da Edscha do Brasil há dois anos. "Um levantamento de clima organizacional era essencial. Mas eu acreditava que ele deveria ser feito cara a cara, e não por meio de questionários", conta. A psicóloga Corinna Schabbel, especializada em resolução de conflitos e sócia da Colibri Assessoria de Relações, em São Paulo, foi quem colocou a idéia em prática. A partir de 250 entrevistas com profissionais da empresa, ela constatou que havia problemas de comunicação e atritos entre alguns funcionários. Corinna também percebeu que muitos funcionários sofriam de problemas emocionais, o que acabava afetando a produtividade. A solução foi proporcionar atendimento psicológico (e sigiloso) para o time.


Na Edscha, qualquer profissional pode agendar uma entrevista com um dos dois psicólogos de plantão durante o horário de trabalho. A partir do primeiro contato, define-se o tipo de atendimento que cada um vai receber. Em alguns casos, são recomendadas sessões de terapia. Em outros, aconselhamento para o profissional e para sua família. A quantidade e a duração de cada procedimento varia de acordo com o problema e com a evolução do paciente. Mas o objetivo é resolver tudo rapidamente. Quando são identificados problemas psiquiátricos, como depressão, o especialista orienta o profissional a buscar acompanhamento médico de longo prazo fora da empresa. Em três meses, desde que o serviço foi criado, 20% dos funcionários da Edscha já procuraram atendimento. No mesmo período, o índice de absenteísmo caiu de 2% para 1,6% e o aumento do grau de satisfação dos funcionários subiu de 41% para 57%.


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A certeza de que o desequilíbrio emocional prejudica o trabalho tem levado outra empresas a adotar programas de orientação psicológica para seus funcionários. Os modelos variam bastante. Na Softway Contact Center, há três psicólogos à disposição dos 2000 funcionários da unidade de Jundiaí, em São Paulo. "Recebemos cerca de 50 solicitações por mês e quase 90% delas dizem respeito à vida pessoal", diz Luciana Zabot, gerente de pessoas e psicóloga da empresa. O funcionário é atendido em uma única sessão, que dura cerca de meia hora. "A pessoa desabafa, chora, explode. Depois, fornecemos orientação psicológica, ajudando o profissional a rever seus valores e a dar mais importância aos fatores positivos da vida". Segundo ela, os supervisores relatam melhora de produtividade no mesmo dia em que o funcionário conversa com o terapeuta.


Outras organizações preferem oferecer subsídio para o atendimento psicoterápico fora da empresa, possibilitando um tratamento mais longo e deixando o funcionário livre para escolher seu próprio terapeuta. É o caso da fábrica de móveis Todeschini, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Lá, os profissionais que estão empregados há mais de um ano tem direito ao reembolso de 50% dos gastos com terapia. O benefício existe há oito anos e, em 2005, foi utilizado por 15 funcionários (cerca de 4% do total). "Sabemos que a terapia é um recurso caro e, em alguns casos, de longa duração. Por isso, decidimos oferecer um incentivo para que os profissionais considerassem essa possibilidade", afirma Denise Soares, gerente de RH. "Pessoas felizes fazem toda a diferença".

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Problema, sim. Desespero, não



Todo mundo enfrenta dificuldades fora da empresa. O grande desafio é impedir que elas tbm prejudiquem sua carreira.


Ah, se houvesse como deixar os problemas pessoais em casa...Já pensou? "Fique aqui, problema que, tão logo eu termine meus compromissos, prometo voltar a sofrer com toda a intensidade merecida." Infelismente a realidade é outra: pesquisa realizada pela Health Promotion and Substance Abuse Prebention, agência governamental norte-americana dedicada à prevenção da saúde mental, mostra que 70% dos funcionários que enfrentam problemas pessoais não conseguem deixá-los em casa quando saem para trabalhar. Se esse é o seu caso, saiba que nem tudo está perdido. Especialistas em trabalho e comportamento sugerem algumas atitudes que podem ajudá-lo a conciliar a vida dentro e fora da empresa, sem permitir que as dificuldades pessoais façam estragos na carreira. O primeiro é assumir que você não é super-herói. "Pouquíssimas pessoas não deixam que nada abale o seu trabalho", diz Nivaldo Dutra, diretor de recursos humanos da Unitech, empresa de tecnologia da informação co m cerca de 1200 funcionários e sede em Salvador (BA). O melhor, segundo ele, é criar uma relação do tipo "conta corrente" com a organização em que você trabalha. Qdo o funcionário está bem e a empresa precisa, ele trabalha algumas horas a mais. Qdo é ele que precisa de mais tempo para seus problemas pessoais, o chefe trata de liberá-lo. "Não há outra saída. É uma estrada de mão dupla e imprevistos sempre acontecem, tanto de um lado quanto de outro." Ponto pacífico para diretores de RH, consultores e psicólogos é que a organização precisa saber que o funcionário está enfrentando uma dificuldade pessoal. Tanto para ajudá-lo quanto para impedir que a situação prejudique a companhia. "O funcionário precisa entender que seu superior vai ser cobrado caso as metas não sejam atingidas. Ele precisa dividir o problema, para que o chefe monte uma estratégia para cobrir sua ausência ou queda na produtividade, mesma que seja eventual", diz o consultor Wilson Mileris, que atua há 23 anos na área de motivação e liderança. Foi exatamente o que fez a paulista Mônica Bianchi, de 38 anos, coordenadora de marketing da Sab Company, em São Paulo. Há cerca de dois anos, ela descobriu que a mãe sofria da Doença de Graves, disfunção na tireóide, que, com o passar do tempo, afetou a visão, o coração e o sistema motor. A radioterapia e os medicamentos acabaram enfraquecendo o sistema imunológico e, com isso, surgiram novos problemas de saúde, como pneumonia.


Quando tudo isso aconteceu, Mônica tinha acabado de trocar de área e ocupava o cargo de analista de marketing. "Íamos constantemente ao médico e havia tbm as internações. Várias vezes tive de adiar compromissos, desmarcar reuniões, cancelar a apresentação de projetos", lembra. "Mas contei logo no início o que se passava comigo e tive sorte. Aqui na empresa, trabalhamos o tempo todo em conjunto, tem sempre alguém que participa do que estou fazendo e pode me representar. Desde o começo, foi isso que me amparou." Mônica teve apoio, mas tbm fez a parte dela. Quando precisava se ausentar, acompanhava o trabalho através de telefonemas e, quando necessário, acessava a internet no hospital, para dar andamento a algum projeto. "Eu me sentia comprometida e não queria deixar ninguém na mão". Ao voltar ela encontrava um acúmulo natural de trabalho, mas a empresa nunca exigiu que compensasse os dias que se ausentou.



Antes de dividir os problemas com o chefe e os colegas, como fez Mônica, é preciso pesar algumas coisas. Em primeiro lugar, tente deixar a emoção de lado por alguns momentos e responda: a situação é mesmo séria? Nem pense em se lamentar na sala do chefe toda vez que discutir com o marido ou esposa. "Quem vive pelos cantos chorando suas pitangas acaba taxado de funcionário-problema e corre o risco de ser escanteado na hora da formação de grupos de trabalho", diz Wilson Mileris. Caso a dificuldade que vc enfrenta seja realmente grave, avalie se pode confiar no seu superior antes de pedir a colaboração dele. "Em algumas empresas, ainda há aqueles que vêem os problemas pessoais do funcionário com um certo preconceito. Quem não confia no chefe, não deve falar com ele", diz a psicóloga Júnia Ferreira, especialista em medicina comportamental, da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). "Em casos assim, o superior só deve ser comunicado se for necessário alterar a rotina de trabalho." Seja qual for a postura da empresa, é importante que você busque também apoio fora do escritório. "Dependendo do caso, o ideal é contar com acompanhamento médico ou psicológico", diz Júnia. Ela recomenda, ainda, que você procure o apoio dos amigos e pratique um esporte ou uma atividade como meditação ou ioga. Isso não vai resolver o problema, mas vai ajudá-lo a recarregar as energias e enxergar as coisas sob outra perspectiva. "Esse afastamento ajuda a ver a situação com mais clareza e, quem sabe, encontrar uma solução", diz Nivaldo Dutra.



MANTENHA O CONTROLE



Veja como lidar com seus problemas pessoais na empresa:



*Evite falar demais e fazer-se de "coitadinho". Divida seus problemas com o menor número possível de pessoas no trabalho.


*Se possível, receba e faça telefonemas pessoais no celular, no horário do almoço ou nos intervalos para o café.


*Salvo em casos como morte, tenha um plano B: conte com alguém que possa ajudá-lo em tarefas domésticas ou que leve seu filho ao médico no dia em que vc não puder.


*Comunique ao chefe se precisar alterar sua rotina de trabalho, para que ele não interprete sua ausência ou falta de concentração como falta de comprometimento.


*Verifique se a empresa oferece algum tipo de auxílio para os funcionários com problemas pessoais e busque ajuda.


*Se vc não está conseguindo lidar sozinho com seus problemas, uma ajuda profissional é sempre bem-vinda.


*Doenças ou morte de parentes

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